Adeus, Esther…

Eu me apego às pessoas. Mesmo aquelas que não existem realmente. Esther Greenwood vai fazer falta, assim como Holden Caulfield, Veronika Hegarty, Raíza, Lorena, Ana Clara, Lião, Sofia e Nathan Zuckerman. Sinto saudade tbm daquele velho contador de histórias no quarto escuro na madrugada de insônia.

A vadia da Luisa e a bisca da Bovary tbm tem espaço no meu coraçãozinho carente.

Esther, eu gostei de você no momento que comecei a ‘te ler’. Puxa, você é tão invejosa quanto eu! Eu me identifiquei com a sua ironia e com a sua covardia. É, nós duas não sabemos o que diabos estamos fazendo aqui. Esse seu jeitinho de perceber os detalhes do mundo me são familiares.

Eu não sei o que aconteceu com ela depois que entrou no consultório para receber o veredicto: livre ou não do hospício? Tbm não sei se o Holden conseguiu encarar os pais dele e levar a vida-sem-sentido que todo mundo leva. Não sei dizer se eles me ensinaram alguma coisa. Por que deveriam? Acho que eles me abraçaram e disseram: “você não é a única.” Isso basta. Até porque não acredito que a literatura tenha um papel necessariamente pedagógico. Se evoluirmos moralmente após um livro, isso é um brinde.

Por ora, fico feliz pelo ombro, e triste pelo aceno. Mais uma entra na turma de amigos que ninguém levará de mim!

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