Feliz pelos dias que tive e por eles chegarem ao fim

Meus dias de vida vadia estão acabados. Foram exatamente 10 dias de vagabundagem, pernas relaxadas, bebidinhas, sono descontrolado, mar, comidinhas freak e o que mais se possa imaginar. Como é bom viver o desregramento!

(Não quero pensar nas consequências desse período tão gostoso. Vou ter de encará-las de qualquer modo, mas só a partir de segunda-feira! A regra é esta, não?)

Descansei muito e não trabalhei nada! Estou orgulhosa de mim. Consegui me manter longe do trabalho, da pressão e da ansiedade que dá sempre que tenho prazos fechados, material na mão e o tempo correndo.

Todos os dias das ‘férias’ eu pude me dedicar a uma paixão: fotografar. Consegui reunir inúmeras imagens do jardim da casa da minha mãe, dos animais que aqui vivem, dos meus amigos e familiares e também de desconhecidos (confesso que adoro retratar anônimos e que me arrisco bastante para isso).

Ter uma câmera na mão, para mim, significa recortar o mundo e enquadrar apenas aquilo que me interessa no momento. Pode ser uma gota de chuva sobre uma flor, um gatinho que dorme gostoso, uma criança que brinca feliz com areia e água. Adoro brincar com os possíveis significados que uma foto pode ter. Por exemplo, meu irmão é gordinho, desengonçado e estabanado. Ele não sabe, mas tem um rosto lindo (talvez ele tenha percebido issonestes dias). Consegui closes dele que o transformaram num cara supersexy. De brincadeira, postei suas fotos no flickr (http://www.flickr.com/photos/dona_zefinha/sets/72157623000654021/). Uma colega tailandesa, ao ver os retratos do meu irmão,  ficou apaixonada por ele. Achei fantástico conseguir transformar meu irmão desengonçadão num símbolo sexual (pelo menos para a minha amiga tailandesa).

A fotografia é algo que me envolve de tal maneira que me sinto sempre instigada a fotografar. Olho os objetos, as pessoas, os animais, as sombras… enfim, vejo esses detalhes como possíveis protagonistas de meus enquadramentos. É inevitável.  Me pego revendo mentalmente as condições de luz, o fundo e os detalhes de uma fotografia que fiz. Procuro compreender na prática porque uma imagem fica de um modo ou de outro. Tirar fotos é aprendizado – técnico e filosófico.  

Sou muito grata pelas possibilidades que recebo e  por poder desfrutar de dias de pura tranquilidade junto a minha família e meus amigos. Este período foi muito importante para eu entender um pouco mais o que fotografar representa para mim.

Apesar da preguicinha que dá voltar à rotina, fico feliz em dizer que minha molezinha gostosa está acabando. Trabalhar me possibilita bancar e justificar meus dois grandes prazeres: fotografar e tirar folguinhas esporádicas – sempre um entrelaçado ao outro.

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Alguns exemplos do que registrei durante estes dias:




Pandinha*

Meu irmão é um cara bacana. A gente sabe disso quando vê a quantidade de amigos que ele tem. Não conheço uma pessoa que já tenha falado mal dele, chamando-o de falso ou interesseiro. Não com o Ricardo. Ele é verdadeiro com seus amigos.

Sempre tivemos problemas de convivência. Ele me maltratava, eu o destratava. Em outra ordem também. Meu pai também não goza de relacionamento muito amistoso com meu irmão. Minha mãe se esforça bastante, mas a relação ainda assim é bem complicada. A única pessoa que tinha um relacionamento incondicional e nitidamente feliz com ele era minha avó. Mas ela se foi, e ficamos nós três como a família fragmentada do Ricardo.

Eu não conseguia  perceber muitas coisas sobre ele até chegar este final de ano. Já faz algum tempo que não moramos juntos e, consequentemente, nos vemos muito pouco. É um paradoxo, mas é justamente por não mais convivermos que passei a enxergar a figura sensível que o Ri é.

Hoje consigo refletir sobre muitas questões ligadas diretamente ao nosso relacionamento ácido e agressivo: eu fazia tudo certinho, ele tinha coragem de seguir impulsos. Obviamente minha família valorizava e elevava a minha condição de boa aluna, filha responsável, enquanto com meu irmão as coisas funcionavam de forma diferente. Ele era preguiçoso e sonhador. As críticas que meu pai fazia a seu modo de viver o fizeram cair num espiral depressivo de autoflagelo que sempre culminava em atitudes autodestrutivas. O Ricardo fez escolhas ruins e paga por elas todos os dias. Contudo, vejo seu progresso em muitos aspectos e percebo que ele tem recebido oportunidades importantes para desenvolver-se mais dentro daquilo que consideramos estilo de vida saudável: trabalho, contas a pagar, crediários etc. etc.

O Rick é uma pessoa peculiar e talentosa. Pouco culto, é verdade, mas capaz das associações livres mais incríveis – coisa que pessoas caretas e corretas não fazem com tanta criatividade. Meu irmão é um artista que, infelizmente, se decepcionou com a dureza da realidade sistemática que vivemos. Ele sempre teve bandas, desde a adolescência. Aprendeu a tocar contrabaixo sozinho (lembro das brigas para ele tocar mais baixo…), esforçou-se para comprar seus instrumentos e aprender a tirar de ouvido os sons que ouvia.

Eu tinha orgulho de dizer aos meus amigos que meu irmão é um ótimo músico e que aprendeu sozinho tudo o que sabe. Mas acho que nunca disse isso a ele. Nestes dias que temos ficado juntos em virtude das festas de final de ano, pude perceber o quanto ele me admira e me respeita. Diante de seus colegas ou não, me tratou com muito amor e carinho. Me senti como a milhares de anos não me sentia perto dele: orgulhosa por sermos irmãos. Só que aconteceu uma coisa que me motivou a escrever este post. Eu estava vendo um clipe no youtube. Alguma banda que as pessoas postam no facebook. O Ricardo se sentou ao meu lado e ficou vidrado vendo a performance da banda. Elogiou a música, fez alguns comentários técnicos e continuou lá. Quando deram um close no baixista, perguntei a ele se tocava baixo com palheta também. Ele me disse ‘não toco mais baixo’. Eu dei um sorriso amarelo e falei ‘tá bom. Tô falando sério. Você toca com palheta?’. Ele bem sério, mas com os olhos tristes, reafirmou ‘não toco mais baixo. Acabou’. Senti uma tristeza muito aguda ao ouvi-lo. Seus sonhos estavam apagados. Meu irmão se decepcionou mais uma vez.

Espero estar muito enganada, mas o que mais me entristeceu foi perceber que aquela decepção parecia ser definitiva. Doeu ver isso porque eu sei como ele sempre foi apaixonado pela música, pela noite e por tudo aquilo que se relaciona a uma vida alternativa e despojada. É uma pena termos nascido numa família de sobrenome nada importante. Meu irmão poderia ter conseguido mostrar e desenvolver muito mais seu talento artístico se não precisasse se enquadrar ao método burguês de vida. Só que para isso precisaria de alguém o mantendo.

Pena mesmo que ele esteja sucumbindo. Pena também que eu não tenha o que fazer. São as escolhas dele.

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*Pandinha era o apelidinho de infância do meu irmão.

Olá, 2010!

Aê! Começou a corrida novamente. Meu cavalinho está se preparando para a nova disputa: 2010 vai ser pauleira!

Eu quero um monte de coisas do ano novo. Tenho o descaramento de listá-las:

-Cabeça mais leve: chega de pirar e enlouquecer e brigar com o mundo. Vou ficar relax! Parece piada eu, miss irritação, falar que vou ficar relax. Mas este é o meu desejo mais sincero para 2010. Vou aprender a respirar fundo e contar… contar… contar… uma hora minha vontade de avançar no pescoço alheio há de passar!

-Corpinho mais leve: dieta e yoga! Não tem mais jeito para a minha cara de pau. Sou uma preguiçosa patológica e vou vencer isso! Sou apaixonada por yoga e parei de fazer por preguiça de ir até o estúdio para praticar. Adoro comida integral e verduras e legumes e frutas e tudo quanto é coisa natureba. Adoro de verdade! Mas tenho preguiça de cozinhar… eu deveria me envergonhar disso. Eu me envergonho… Pois a partir de agora vencerei este impedimento infantil que é a preguiça! Yoga e comidinhas saudáveis.

-Foco: hoje é o dia de organizar as minhas metas de médio prazo (um ano é um prazo médio, não?). Voltar a estudar, fazer viagens bacanas e enriquecedoras, pesquisar mais sobre os assuntos que me interessam. Enfim, movimentar o chicletinho mastigado que está dentro do meu crânio.

-Amar: eu amo muito, mas não sei como dizer isso. Me enrosco toda na maneira de demonstrar o que sinto e acabo fazendo tudo errado. Decidi me empenhar mais no trato com as pessoas. Amo minha família e meus amigos, mas acho que eles não sabem. Sou sarcástica demais para uma demonstração de afeto muito explícita. Me sinto desconfortável quando exponho meus sentimentos. E eu sei porque: sou uma egocêntrica que não suporta a ideia de rejeição. Reflito sobre isso e percebo que preciso de ajuda. Entro num espiral de autodepreciação do qual não consigo sair.

-Terapia: acho que já é hora. Estou protelando isso há muito tempo. Sempre dou a desculpa da grana. Acho que agora não dá mais para me apoiar nisso. Não quero explodir.

-Coragem: tenho de tomar decisões fortes. Respira fundo e mergulha, Renatinha!

-Escrever: eu tenho pensamentos danadinhos durante o dia e deixo passar. Acho que eles merecem permanecer. Registrá-los-ei! =P

-Fotografar: meu prazer maior. Se já estava bastante inclinada a isso, agora mais que nunca. Tenho uma lista imensa de lugares que quero visitar para fotografar. Isso, sim, me motiva.

-Rever amigos: seria bom reencontrar pessoas que não vejo há muito tempo e que são muito queridas.

-Preconceitos: estou disposta a encarar meus conceitos moralistas e retrógrados. Já me peguei criticando opções de vida por sentir uma ponta de inveja. Estou muito aberta ao que vem por aí. Vai doer, vou chorar, mas não suporto mais viver submersa em ideias e pensamentos hipócritas.

-Dinheiro: talvez a parte mais difícil de lidar. Não sou gananciosa, ambiciosa nem apegada. Costumo ser bastante generosa com amigos e, por isso mesmo, não ligo se precisar pagar alguma coisa para alguém. O problema é que preciso guardar a porcaria do dinheiro… estou mais consciente e mais empenhada. Tenho uma relação dúbia com o mundo financeiro: detesto o dinheiro pelo que ele faz com a vida, o tempo, as necessidades, os sentimentos, as relações humanas. Adoro o dinheiro porque me permito viver situações que sem ele seriam inviáveis. Difícil dosar.

-Família: ainda não estou certa do que farei. Minha relação com a minha mãe se arrasta há anos. Meus sentimentos por ela são pesados, intensos, ambíguos. Já com meu pai a coisa é diferente: sou uma pessoa que desconheço quando estou perto dele. Um dia talvez possamos fazer uma acareação. Ou talvez isso seja uma bobagem. Sinto muito por ser tão diferente daquilo que ele espera de mim. Só que ultimamente alguma coisa mudou: não sinto mais por mim pelo fato de não ser a filha meiga, delicada, amável e cor de rosa que ele queria; sinto por ele ser tão fechado em conceitos morais obsoletos. Eu sinto uma pontada aguda de tristeza quando me deparo com algumas opiniões do meu pai. Já com o meu irmão as coisas têm sido cada vez melhores e isso me deixa muito feliz e confiante. Espero vê-lo muito mais neste ano.

-Viagens: pelo menos Ouro Preto… mas estou aberta a mais destinos…

-Casa: não sei ainda.

-Carro: vou continuar de Fiestinha fodido, amassado, sujo e feioso. Nossa relação já é quase espiritual. Ele me leva, me busca, não me deixa na mão. Seu jeitinho tímido e discreto é de um carrinho que sabe qual é seu lugar na minha vida: o de ser MEIO, e não FIM.

-Casamento: penso nisso mais tarde.

Feliz 2010, Renatinha!

Adeus 2009…

Hora de fazer o balanço do ano.

Pode ser em tópicos? Pode…

-Trabalho: não faltou. Aliás, até sobrou. Fico muito feliz em fechar o ano sabendo que profissionalmente eu tive experiências promissoras e que pude descobrir pelo menos o que não quero para a minha vida. Não quero bater cartão e vestir camisa de empresas onde só se pensa em dinheiro e se fala de marketing com o coração cheio de orgulho. Não quero desenvolver gastrite, dores absurdas pelo corpo, síndrome do pânico ou depressão. Minha enxaqueca já é companheira suficiente. Não preciso de mais moléstias (adoro essa palavra! feia demais…).  Portanto, obrigada pela experiência, mas não é para mim. Multinacionais: tô fora!

Aprendi (na verdade reforcei o que já sabia) que trabalhar arduamente pode me levar a duas possibilidades: tristeza e mal-estar ou felicidade e liberdade. Eu optei pela segunda. Enquanto eu puder viver como autônoma, estou feliz. Se chegar a um ponto em que não rola mais, ok! A vida é uma mudança atrás da outra. Acredito que o desapego deve incluir as condições em que nos encontramos. Tudo termina… trabalho, namoro, curso, pasta de dente, filme, música… ainda bem, né? A eternidade deve ser um porre… rs

Fui demitida. Este foi sem dúvida o melhor presente que ganhei no ano. Me livrei de um emprego que estava acabando comigo e saí com grana. Além do mais, meus contatos ampliaram com essa demissão. Resultado: freelando felizzzzzzz….

- Viagens: este foi um ano bem turístico para mim. Fantástico! Conheci São Bento do Sapucaí, fui para a Flip pela segunda vez, conheci várias cidades no Sul do país (Curitiba, Porto Alegre, Gramado, Canela, Nova Petrópolis, Caxias do Sul, Blumenau e Pomerode). Também fui para o Rio de Janeiro. Ufa! Benzadeus!! Ah, não coloquei São Sebastião na lista porque é covardia…rs.

Amo viajar! Para mim é a melhor maneira de gastar meu suado dinheirinho. Tenho um jeitinho meio nerd de fazer turismo: gosto de conhecer museus, centros culturais, prédios históricos… enfim, nada de shopping (eca!) ou turismo de consumo. Não sou hipócrita de dizer que não compro souveniers e bobajadas. Compro, mas aprendi a ficar esperta. No final tudo vira lixo em casa… Mas tem uma coisa que eu sempre faço: compro cartões postais para mim mesma. São fotos bacanas das cidades pelas quais passei. Lembranças apenas…

Quando chego numa nova cidade gosto de conversar com os ‘nativos’. Ouvir sotaques, perguntar sobre a cultura local, fazer amizade com garçons, taxistas, motoristas de ônibus, recepcionistas de hotéis. Adoro ser turista porque sinto que (na maioria das vezes) as pessoas fazem questão de mostrar o que há de melhor na terra delas e me tratam de uma maneira impagável. Conheci um garçom em PoA que era uma figura! O pessoal que trabalha nos hotéis costuma ser muito gente fina. Falam onde a gente pode comer bem e barato, onde é perigoso andar etc. etc.

Enfim, o melhor de viajar é ter contato com a cultura viva das pessoas.

- Estudos: 2009 foi um fiasco! com exceção de um curso de férias que fiz na Cultura Inglesa, não estudei nada formalmente. Ai, que vergonha…

- Livros: Ah, aí sim eu digo: foi muito enriquecedor. Me dediquei a autores que não conhecia e pelos quais caí de amores: Philip Roth, Anne Enright, Alan Pauls… Achei fantástico o Bebel que a cidade comeu, do Ignácio de Loyola Brandão, e me identifiquei com Zazie no metrô, do Raymond Queneau. Me reapaixonei pelo Leminski e pela Alice Ruiz (que casal!). Reli muitos contos do Caio Fernando Abreu, por quem sou alucinada, e mais algumas coisa que não lembro agora…minha memória tbm não computa tudo…

- Música: ai que delícia que foi 2009!! show do Radiohead!! a melhor banda do mundo (pareço uma adolescente falando). Eu tenho adoração por eles e sinto choquinhos pelo corpo quando escuto muitas músicas, sobretudo Let down.

Não vi muitos shows porque sou um ser preguiçoso. Quando penso na tortura que é ficar no meio da muvuca, o povo fumando no meu cabelo, eu querendo fazer xixi e beber água sem poder…afe, dá um desânimo… mas pelo Radiohead valia a pena. Ah, vi também o show do Little Joy (graciosos) e do Dead Trees (bacana).

Ouvi muita coisa em casa e consegui finalmente baixar os álbuns do Dr Dog (meus amigos não aguentam mais me ouvir falando dessa banda ou pedindo para colocar pra tocar quando pego uma carona).

Me reapaixonei pela música negra americana: Otis Redding, Nina Simone, Aretha Franklin, Ike & Tina, Ruth Brown… já tava quase fazendo um black power…

Também fiquei novamente enlouquecida por alguns caras (com direito a gritinhos histéricos…hihi): Chico, Cartola, Rodrigo Amarante (no Los Hermanos, na Orquestra Imperial e no Little Joy). Confesso que fui muito bem colonizada: ouço mais música gringa que nacional. Eu me envergonho disso!

- Cinema: ai ai…não vou lembrar de tudo o que vi este ano… mas lembro daquilo que me tocou muitíssimo: Felizes Juntos, Amor à Flor da Pele, Paris, Texas… adorei Vicky, Cristina, Barcelona. Saí transformada do cinema depois de assistir Os falsários, Gran Torino, A vida dos outros… achei uma bela porcaria o Curioso caso de Benjamin Button (ok, cheio de efeitos. ok, cheio de clichês…).

Também fiquei encantada com Primavera, verão, outono, inverno e primavera e ri muitíssimo com O discreto charme da burguesia.

Cinema é algo que me fascina porque junta duas paixões: literatura e fotografia. Ah, sem contar que tem a trilha… se for um filme do Wim Wenders, tá garantido!

- Hobby: decidi começar a fotografar este ano. Sempre quis mas nunca pude. Filmes e revelações tornavam a brincadeira insustentável para mim. Mas com uma câmera digital tudo ficou possível. Taí algo que realmente me traz muito prazer. Posso passar horas fotografando e horas editando as imagens. Apesar de ser muito crítica comigo mesma, no geral gosto do que faço. Me sinto feliz.

- Família: ai…pode pular? Família maluca, com gente confusa… relacionamento difícil e truncado. Meu pai acha que sou criança, e minha mãe acha que sou infeliz. Meu irmão acha que eu não existo. É isso. Não sou criança, não sou infeliz e existo. Descompasso…

- Casamento: putz! pode pular também? Não recomendo viver junto com alguém. É foda demais. A gente passa a viver só a parte chata e deixa para depois tudo aquilo que era bom no namoro. A rotina é um presente do demônio. Mas não serei injusta. Houve ótimos momentos com o Rô. Muita coisa boa aconteceu para a gente. E o companheirismo sempre foi muito forte entre nós dois. Mas as coisas foram pirando em algum momento que eu não sei precisar.

- Amizade: 2009 foi um ano fantástico em relação às minhas amizades. Revi gente que não via há anos e estreitei laços com pessoas muitíssimo especiais. Tão bom saber que a gente pode amar as pessoas verdadeiramente. Meus amigos são muito amados por mim. E faço questão de deixar isso bem claro para eles.

- Autoimagem: continua uma lástima. Não aprendi muita coisa não. Me acho feia, espaçosa, burra, preguiçosa, alienada… continuo acordando feliz e dormindo triste ou o contrário. Acho que é isso que se costuma chamar de bipolaridade, né? Não me aguento… mas mesmo assim me amo. Tenho uma autoestima instável. Mas no fundo eu sei que sou legal… só que costumo duvidar muito de mim mesma. Quem sabe ano que vem eu não melhoro…

- Dinheiro: torrei tudo em 2009! Pé de meia só no ano que vem…

- Saudade: senti muita saudade da minha vó e da minha irmã este ano. No ano passado tbm… no outro tbm… em 2010 não vai ser diferente. Aí eu choro, vejo fotos, abraço meu cachorrinho snif snif e tudo passa…

- SALDO DE BALANÇO: No final das contas foi um ótimo ano. Me desenvolvi em muitos aspectos e entendi coisas que não faziam sentido antes. Conheci pessoas fantásticas e me abri mais para o mundo. Revi gente que amo e aprendi a me amar um pouco mais. Tomei coragem de encarar algumas situações e reaprendi a me organizar. Passei bastante tempo sozinha e isso me ajudou (e ajuda) a me tranquilizar sempre que parecia que tudo ia desandar.

E mais uma vez constatei que banho e travesseiro são os melhores amigos dos ansiosos patológicos.

- Planos para 2010: só no próximo post…

A defensora de causas: Eu!

Não sou de fazer testes psicológicos, mas fui convencida por um amigo a tentar o tal teste de personalidade do http://www.inspiira.org/index.php (ai ai… não sei fazer aquele negócio chique de inserir um nome que vira link…).

Bom, o fato é que fiquei impressionada! Talvez eu tenha vivido na ignorância até hoje quanto a esses testes e tenha sido uma pessoa preconceituosa em demasia. Acho que farei todos os que aparecerem na frente a partir de agora! Ah, os do Facebook não contam! Um deles me classificou como Sra Smith (do filme Sr e Sra Smith). Fiquei furiosa! rs

Mas este aqui me descreveu muito bem:

O Defensor de Causas [ENFP]

Para os Defensores de Causas nada ocorre que não seja sem um significado, sem um sentido profundo. E eles não querem deixar de viver nenhuma destas experiências. ENFPs precisam experimentar todos os eventos que afetam a vida das pessoas, e então eles ficam ansiosos por relatar as histórias que eles descobriram, na esperança de revelar alguma verdade sobre pessoas e problemas, e para motivar os outros com suas fortes convicções. Esta forte motivação de se fazer ouvir em eventos sociais pode fazer destes Defensores de Causas incansáveis conversadores, como fontes que borbulham e se espalham, derramando suas próprias palavras para colocar tudo para fora. O seu entusiasmo é ilimitado e é frequentemente contagiante, fazendo deles os mais animados de todos os Tipos, e também inspirando outros a se juntarem à sua causa.

Como uma variante dos Idealistas de Platão e dos Eticistas de Aristóteles, os ENFPs são pouco diferentes dos outros xNFx na maioria dos aspectos. Como todos os Idealistas eles são abstratos na comunicação e cooperativos na implementação de objetivos. Eles querem aprender sobre Humanas, são preocupados com a moral das pessoas e trabalham bem com pessoal. Em orientação eles são altruístas, crédulos, místicos, situados em caminhos, e com seus olhos no amanhã. Eles baseiam sua auto-imagem em serem vistos como empáticos, benevolentes e autênticos. Frequentemente inspirados, eles confiam em suas intuições, anseiam por romance, buscam identidade, valorizam reconhecimento, e aspiram pela sabedoria do sábio. Intelectualmente eles têm a tendência de praticar a diplomacia [xNFx] muito mais do que a estratégia [xNTx], logística [xSxJ] e especialmente a tática [xSxP]. Além disso, com sua natureza curiosa e exploradora eles tendem a preferir o papel informativo do Advogado [xNFP] ao papel directivo e planejado do Mentor [xNFJ]. E por causa da sua irrepreensível expressividade eles preferem o papel de Defensor de Causas [ENFP] do que o do Curador [INFP] das almas afligidas.

Como os Tipos do temperamento xNFx, ENFPs são bastante raros, pode-se dizer dois ou três por cento da população, mas num nível superior aos outros eles consideram experiências emocionais intensas como sendo vitais para uma vida plena. Defensores de Causas demonstram uma ampla gama e variedade de emoções e uma grande paixão por novidades, e por isso podem tornar-se entediados rapidamente tanto com situações quanto com pessoas, e resistirem repetir experiências. Além disso, eles nunca podem se desvencilhar completamente da sensação de que uma parte deles é separada, excluída de seu experimentar da vida. Dessa forma, enquanto eles procuram por intensidade emocional, os Defensores de Causas frequentemente se vêem em risco de perder contato com seus sentimentos verdadeiros.

Esses Defensores de Causas [xNFP] expressivos são ferozmente independentes, repudiando qualquer tipo de subordinação, quer em si próprios ou em outros com relação a eles. Infelizmente, Defensores de Causas encontram-se constantemente rodeados por outros que os procuram em busca de sabedoria, inspiração, coragem, e liderança, uma dependência esta que, às vezes, pesa um tanto quanto demasiadamente sobre eles. Na mesma linha, ENFPs esforçam-se para demonstrar uma espécie de autenticidade pessoal espontânea, e essa intenção de sempre serem eles mesmos é geralmente comunicada não-verbalmente às outras pessoas, que consideram isso um tanto atraente. Com grande frequência, porém, seus esforços em serem autênticos são insuficientes, e eles tendem a se auto-flagelar quando se constrangem até minimamente com suas próprias atuações.

Através de sua maneira “sondante” de ser, ENFPs fazem uma varredura contínua do ambiente social, e é provável que nenhuma motivação suspeita escape à sua atenção. Muito mais do que outros xNFx, ENFPs são aguçados e penetrantes observadores das pessoas à sua volta, e são capazes de exercer uma intensa concentração em outra pessoa. A sua atenção nunca é passiva ou casual, nunca vagando, mas sempre dirigida. De fato, vendo a vida como um drama emocionante, abundante de possibilidades tanto para o bem quanto para o mal, os Defensores de Causas tendem a ser hipersensíveis e hiperalertas, sempre prontos para emergências, e por causa disso eles podem sofrer de tensão muscular.

Ao mesmo tempo, ENFPs têm excelentes poderes intuitivos e, muitas vezes, encontram-se tentando ler o que está se passando dentro dos outros, interpretando acontecimentos em termos de motivações ocultas das pessoas, e dando significado especial a palavras ou a ações. Embora essa interpretação possa ser precisa, ela também pode ser negativa, e às vezes imprecisamente negativa, o que pode introduzir um elemento desnecessariamente tóxico à relação. Por exemplo, Defensores de Causas tendem a atribuir mais poder a figuras de autoridade do que realmente nelas há e a crer que estas figuras têm a capacidade de exergá-los com transparência — um poder de “insight” que geralmente não está lá. Desta forma ENFPs podem fazer graves erros de juízo, erros estes que derivam da sua tendência a projetar seus próprios atributos nas outras pessoas, e a focar-se nos dados que confirmam seus próprios viéses.

Apesar da má-interpretação ocasional, Defensores de Causas são habilidosos com pessoas e fazem extenso uso de suas habilidades interpessoais. Eles geralmente possuem um vasto leque de contatos pessoais e telefônicos, esforçando-se na manutenção de ambos os relacionamentos profissionais e pessoais. Eles são acolhedores, se divertem com as pessoas, e são extraordinariamente habilidosos no lidar com as mesmas. São pessoas agradáveis e sentem-se à vontade com seus colegas de trabalho, e as outras pessoas apreciam sua presença. Sua “persona” pública tende a ser bem desenvolvida, assim como sua capacidade para o espontâneo e o dramático. São caracteristicamente otimistas em suas concepções, e se surpreendem quando as pessoas ou eventos não acabam sendo como antecipados. Frequentemente a sua confiança na bondade inata da vida e da natureza humana é uma profecia que se auto-concretiza.

Defensores de Causas podem escolher uma notável gama de de carreiras e obtêm sucesso em diversas áreas. Como trabalhadores, eles são calorosamente entusiasmados, de alto espírito, imaginativos, e podem fazer praticamente qualquer coisa que atraia seu interesse. Eles possuem um forte sentido do possível, e podem resolver muitos problemas, especialmente os que envolvem o lidar com as pessoas. Eles têm prazer no processo de criação de alguma coisa, de uma idéia ou de um projeto, mas não se interessam tanto pela parte mais monótona do processo, que envolve dar continuidade a estas coisas. Uma vez que pessoas ou projetos se tornem uma rotina, ENFPs provavelmente perderão o interesse — o que pode ser é sempre mais fascinante do que aquilo que é. Defensores de Causas são muito habilidosos em reunir pessoas, e são bons apresentadores de reuniões e conferências, embora não sejam tão talentosos em providenciar os detalhes logísticos e operacionais destes eventos. Eles são bons em inventar novas maneiras de se fazer as coisas, e seus projetos tendem a tornarem-se rapidamente personalizados à causa em mãos. São pessoas imaginativas, mas que podem ter dificuldade de levar adiante idéias e projetos iniciados por outras pessoas. Se é para eles gastarem energia e interesse num projeto, eles precisam torná-lo “deles”.

Trabalho que requer contato face-a-face é essencial para os Defensores de Causas. São excelentes professores, ministros religiosos (padres/pastores/etc), e em geral são atraídos pelas artes comunicativas, constituindo talentosos jornalistas, oradores, romancistas, roteiristas, e dramaturgos. Em ambientes institucionais eles podem ser perturbadores do status quo, contestando os procedimentos e as políticas obsoletas. Às vezes eles se tornam impacientes com seus superiores; e ocasionalmente eles defenderão o lado dos difamadores da organização onde trabalham, os quais encontram nos ENFPs um ouvido solidário e uma pessoa resgatadora por natureza. Na escolha profissional, ENFPs rapidamente tornam-se inquietos se a escolha envolve detalhamentos meticulosos e um acompanhamento por extensos períodos. Variedade nas operações e interações do dia-a-dia encaixa-se perfeitamente em seus talentos, pois necessitam de um bocado de liberdade para que possam exercer sua criatividade.

Em relacionamentos, ENFPs tendem a ser atraentes, gentis, solidários, porém não-conformistas. Já que frequentemente buscam novas maneiras de ventar suas inspirações, seus companheiros/as podem esperar surpresas. Eles podem oscilar entre a extravagância e a frugalidade, e suas casas podem conter luxuosidades caras, ao mesmo tempo que necessidades básicas possam estar faltando. Eles são enormemente desinteressados em coisas como manutenção doméstica, poupança, seguro de vida, e até mesmo em dinheiro na mão.

Como pais/mães, Defensores de Causas são pessoas dedicadas, embora um tanto imprevisíveis no lidar com seus filhos, oscilando entre o papel do “amigo em necessidade” e de uma dura figura autoritária. Embora verbalizem opiniões fortes sobre disciplina, eles podem não estar dispostos a fazer valer seus pronunciamentos dramáticos, temendo comprometer a relação que têm com seus filhos, e assim deixando o papel de lidar com a situação para o/a seu companheiro/a. ENFPs podem ser pais/mães criativos/as, fornecendo a seus filhos todo o tipo de experiências intrigantes. Por outro lado, ENFPs têm pouca paciência com crianças queixosas ou exigentes, e podem ser bastante intolerantes com este tipo de comportamento.

On the road (Respira, Renatinha!)

Oito da manhã. Um carro de som anuncia um grande evento na terra de Oz. Maravilha, hein! Só que eu  estava dormindo e meu quarto fica praticamente no meio da rua. Tudo bem ter ido dormir às três. Tudo bem ter ido dormir tardíssimo a semana toda e ter acordado hipercedo todos os dias. Ok. Levanto e vou cuidar da vida.

Chamar o cônjuge, fazer café, arrumar malas. Olheiras pretas. Sono de matar.

‘Você dirigi hoje?’ ele pergunta. ‘Sim.’

Já sabia: o dia ia ser longo…

Malas: detesto! Fazer o que? Roupas, toalha, chinelo, biquini, pijama, livros, filmes, notebook, câmera, tripé, shampoo… DEUS ME LIVRE! Peguei tudo? Travesseiro!

Banho e buscar a  sogra. Agora começa a aventura!

Não sei o que acontece com as pessoas motorizadas em dias atípicos: se já dirigem mal, nestas circunstâncias simplesmente se transformam em tartarugas mancas com reumatismo. Primeira provação do dia: controlar o humor durante o trajeto até a casa da sogrinha. Por ela vale a pena.

Música, conversa fiada com o marido e vamoaê.

Caminhões, gente, carros, bicicletas, dinossauros, ETs… tudo no meio do caminho! Mas é véspera de natal… (será que os três reis magos teriam paciência de seguir uma estrela no meio do trânsito caótico deste país?)

Chegamos na sogra. Oi pra todo mundo, feliz natal, beijo, tudo de bom. Mala no carro. Opa!  Agora vai. Vai? Vai nada…

Campeonato de lesmas sedentárias… eu atrás. Corta tudo, Renata! Ah! Corta aqui, ali, direita, esquerda e… avancei dez metros! Sacanagem. Mentira. Não é possível. Respira fundo e vai.

Uma barca parada no meio do caminho. Tento ultrapassar. O cretino sai junto sem olhar e sem dar seta e me fecha, quase bato o carro. Buzina! AVC…

Respira, Renata.

Uma da tarde: olhos virando de fome. E agora? Shopping Villa Lobos. Hoje definitivamente é dia de penitência.

Gosto de um restaurante natureba chamado Seletti. Sempre peço a mesma coisa: Arroz 7 grãos, purê de mandioquinha e hamburguer vegetariano. Suco. Resolvi incrementar: legumes grelhados. Quem é o  atendente que faz meu pratinho? Aquele que está em treinamento. Puxa… só porque estávamos com pressa. Demora, comida quente demais: queimo a boca, acabou o sabor.

Respira, Renata!

A diversão do dia foi ir ao banheiro: o vaso tem uma proteção de plástico que gira quando colocamos a mão num sensor. Uau! O futuro chegou! Foda-se se tá tudo superaquecendo e vamos morrer envolvidos numa bolha de plástico. É moderno e chique!

Hum…docinho cairia bem… degustação de frozen. Delícia! ‘Rô, sorvetinho?’ ‘Sim.’ ‘Fran?’ ‘Não.’ Ok. A atendente? Não muito esperta. Respira, Renatinha.

Sorvete caríssimo, mas gostoso. Vamobora!

Cadê o  carro? Roda, roda, roda…

Puta que pariu! Todos os ângulos do estacionamento são iguais. 15 minutos depois: Acho que está no andar de cima…

Nós três: campeões brasileiros de estupidez no estacionamento. Roxa! (raiva e vergonha de mim mesma…burra burra burra).

Marginal Pinheiros. Marginal Tietê. Gasolina no osso.

‘Depois do shopping D eu paro no posto, ok?’ ‘Ok.’

Pista local, anda, anda, anda… pára! Parou… Trânsito ferrado. ‘Ai meu Deus! Estão reformando essa porra!’

Ah, mas sou uma grande motorista! Corto aqui, ali e pronto! Posto de gasolina.

Eu sou tão inteligente que parei na primeira bomba: gás natural. Meu carro é a gasolina. Segunda bomba: etanol. Terceira bomba: gasolina! uhuu! mas para chegar lá dei uma fechada num fulano muito paciente que me deixou passar (deve ter visto na minha cara que não sou confiável).

Enquanto abasteço, um senhor de uns 60 anos me encara. Acho que percebeu que uso o óculos de sol por cima do de grau. Meu charme.

Gasolina no tanque, tudo pago, bora!

Lá se vão mais uns 15 minutos no meio dos carros parados, das pessoas pasmando… ai ai…

Enquanto isso,o Thom canta no meu ouvido: ‘Its the devil’s way now. There is no way out. You can scream it, you can shout, but it’s too late now! You have not been paying attention, paying attention, paying attention’ (Era provocação? sim, eu deveria ter visto a gasolina antes…não adiantava mais me saculejar no carro. Eu estava parada num trânsito ridículo simplesmente porque precisei abastecer. A pista expressa fluía poeticamente. E eu na local).

Respira, Renata!

Consigo sair da local, entrar na expressa. Passa a ponte Aricanduva, passa Guarulhos… não é que eu tô conseguindo?

Trabalhadores! ou Ayrton Senna… que seja. Rodrigo dormindo, eu e sogra papeando. Um sono horroroso. Passa o pedágio, eu sempre em frente. A té que me lembro que sempre me esqueço se o caminho está correto (troféu anta do ano para mim! Dez anos fazendo o mesmo caminho, dez anos com a mesma dúvida). ‘Rodrigo! Acorda rápido! Me perdi. Passei da saída.’ ‘Você nem chegou em São José ainda.’ ‘Ah… desculpe… volte a dormir…’ Eu quase dormindo também.

Passo o segundo pedágio: preciso de um café! Café ruim, coca-cola pior. Náusea.

Volto pro carro e começa a chuva. A-D-O-R-O dirigir na chuva! Na estrada então? Minha pulsão de morte, sabe? Fico pensando nas catástrofes…

A estrada é uma selva de imbecis, e eles não se importam se estão molhados ou não: querem passar por cima! Uma disputa genital: quem tem o pau maior? O cara do carro X importado, afrescalhado bla bla bla ou o cara do carro Y, rebaixado, filmado, envenenado…loko! (é…os manos descobriram o litoral norte tbm…)

Eu não tenho saco: se grudar na minha traseira vai ficar lá! Se piscar o farol me mandando sair da frente, ignoro! Eu não tranco o trânsito. Aliás, corro muito para um Fiestinha fubanguinho como o meu. Mas não suporto gente mal educada. Dou passagem até a minibug sem nenhum problema. Não quero ser a do pinto maior. Nem tenho um! Só quero andar em segurança.

Fiz minha pintura de guerra e encarei a Tamoios. Mas no fundo sou da paz… Minha política: Quer passar, passa. Mas não precisa me matar para isso.

Serra: graças a Deus! Ah, mas tinha que ter um passo de elefantinho na minha frente. Moleza… sono… ouvindo Let Down (bom momento para passar por cima do guardirreio e acabar com esta existência inútil… mas tinha mais duas pessoas no carro. Elas não merecem. Ok! suicídio adiado).

Caraguatatuba! Opa, tá quase. Trânsito, radares, gente mole. Entrada de São Sebastião: uma lágrima quase escorre. A tortura está acabando!

Na serrinha, faço uma curva para um lado, e o Fiestinha tenta ir para o outro! Tá louco, meu? Rodrigo diz: ‘Dormiu?’ Eu grito: ‘Não! O carro tá louco!’ ‘Você que dormiu.’ (Pânico) ‘Esse carro tá doido! Não dormi!’ ‘Calma…’ ‘…’

Peço ao Rô para ligar para minha mãe e perguntar o que precisamos comprar no mercado. Bebidas. Opa! Agora sim!

Pão de Açúcar: Cerveja, vodka… Fila! Vam’bora!

Adega da cidade: cinco paus a mais na mesma garrafa de Vodka! Ok, não tem fila…

Finalmente a  casa da mamãe: ‘Feliz Natal!’ ‘Eeeehhhh!!’ ‘Saudade!’

smack, smack…

‘Mãe, estou um pouco cansada…’

Sofá…

ZzZzZz

Wong

Estou pensando…

Mais um daqueles que me fazem refletir e chorar…

Mas agora vou dormir.

“Quizás, quizás, quizás…”

Amizade

Sempre  fui muito seletiva em relação aos amigos. Não fui (nem sou) uma pessoa popular e rodeada de gente. Não tenho um caderninho com mais de cinquenta telefones. Se fizer uma festa, não conseguirei lotar uma casa. Tenho poucos amigos, mas eles são especialmente selecionados e queridos.

Ontem estive com duas grandes amigas pelas quais tenho profunda admiração e um enorme amor. Passamos a tarde juntas comemorando o novo apartamento de uma delas. Há muito tempo queríamos nos encontrar sem horário para ir embora, mas, assim como eu, elas também são freelancers, vivem com os prazos no limite e mal têm tempo para dormir. Então, nosso encontro celebrava o próprio encontro como um grande presente para nós tRês.

Foram algumas horas muito especiais para mim. Conversamos, rimos, relembramos histórias hilárias, bebemos… enfim… sobretudo, estivemos muito dispostas umas às outras.

Amizade para mim só funciona com muita cumplicidade e amor. Minhas amigas são como irmãs que eu escolhi. Nos vemos menos do que gostaríamos, mas nos priorizamos. Sempre estamos prontas a socorrer aquela que pede ajuda, não importa o esforço que isso demande.

Ontem, uma dessas duas amigas, a Renata, nos deu um presentinho de natal que me emocionou. Algum tempo atrás,

conversando por email, mencionamos que não tínhamos uma fotografia de nós três juntas. Fiz uma montagem tosquíssima e mandei para elas. Lembrei de umas flores que eu havia fotografado. Enviei o arquivo e disse que éramos nós três. A Rê imprimiu a foto e colocou num porta-retrato super delicado. Cada uma ganhou um de presente.

Achei a atitude dela tão linda. Me tocou profundamente. A foto das flores é esta ao lado…

A de nós tRês com  porta-retrato é esta embaixo.

Ah, ‘tRês’ é a junção de ‘três Rês’… Renata, Regiane e Renata… genialidade da Regiane.

Hoje estou muito muito muito feliz!

:)

Daquilo que me toca 1 — FELIZES JUNTOS

Sou apaixonada por cinema. Embora me falte tempo para assistir a tudo o que tenho vontade, sempre que posso dou um jeito de ir ao cinema ou vejo algo em casa.

Como boa antissocial que sou, dou preferência às salas vazias, que passam filmes fora de circuito e que são frequentadas por pessoas tão chatas quanto eu. Para mim, a Cinemateca, o Cinesesc e o Reserva Cultural (sessão da meia noite) são paraísos na Terra! Mas confesso que as salas que mais frequento são as do Belas Artes, em virtude do cineclube e da facilidade de acesso.

Já assisti a filmes fantásticos e há tempos fora de cartaz nesses lugares. O último de que me recordo foi “Felizes Juntos”, do Wong Kar Wai. Nossa, é sensacional! Fiquei comovida com os atores, as cores, as luzes, a trilha, as locações… enfim, não pisquei.

Trata-se de um casal homossexual chinês  que passa uma temporada em Buenos Aires. O objetivo deles é chegar às Cataratas do Iguaçu, no entanto o dinheiro acaba e eles começam a se desentender. É interessante pensar nas escolhas que fazem quando se veem sem dinheiro num país estrangeiro. É arriscado o argumento que usarei, mas seguirei em frente, mesmo que pareça juízo de valores, porém penso que não é julgamento moral, mas simplesmente um fato: um dos personagens procura trabalhos convencionais e ‘bem aceitos’ dentro da moralidade social. Trabalha como garçom, cozinheiro etc. O segundo personagem arrisca-se na prostituição e nas possibilidades levianas de se ganhar a vida. Posteriormente, percebemos que essas escolhas se voltam aos papéis que nitidamente assumem dentro do relacionamento: o primeiro é o polo feminino e maternal; o outro alterna sua postura entre masculina-machista e infantil, o que me parece estabelecer uma relação maternal, edípica, entre ambos. Isso me faz pensar em como podemos fazer esse tipo de transferência afetiva nos momentos de adversidade. Quero dizer o seguinte, talvez esse comportamento se componha em razão de ambos se sentirem inseguros e desamparados por estarem vivendo num país de cultura muito diferente das suas.

É magnífica a maneira como a história é conduzida, mesclando as cores e os sons às tensões do filme. Gosto de como o relacionamento é tratado. Para mim, não haveria como transpor a trama para um casal heterossexual. Não faria sentido. No entanto, não são utilizados rótulos e clichês do mundo homossexual. O que me tocou profundamente foi a relação humana, apesar de todo o erotismo que a envolve.

É bonito observar a tristeza da desconstrução de um sonho em comum — porque a beleza, sim, pode estar nas situações de decepção quando se percebe que aquilo que se almejava não passava de uma ilusão efêmera.

Não direi o que acontece no filme, se concretizam o desejo de chegar às Cataratas do Iguaçu e se ficam “felizes juntos para sempre” ou não. Talvez seja o menos importante. A meu ver, sensacional é observar transformação de caráter de um dos personagens quanto à sua característica primordial de doação e aceitação que se mistura ao seu senso de maternalidade.

Penso que “Felizes juntos” abre grandes possibilidades para discussões de cunhos psicológico e estético. Por ora, vou me deter a poucos parágrafos, mas já assumindo o compromisso de rever o filme e ampliar meus argumentos.

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Não sou de elogiar uma obra simplesmente pelo nome que seu autor carrega. Não gosto disso. Acho infantil e hipócrita — parece um desejo desesperado de parecer cult. Digo isso pois há ainda outros filmes do Wong Kar Wai de que gostei muitíssimo: “Amor à flor da pele” e “Amores expressos”. Não assisti a “Dias selvagens” nem “Anjos caídos”. Não tenho opinião a respeito. No entanto, assisti a “Um beijo roubado”. Na minha opinião, entre aqueles que conheço, é o pior filme do diretor chinês. São sucessões de clichês que vão desde a ideia batida de atravessar os EUA como uma maneira de se (re)conhecer (pensando em literatura, Nabokov fez isso com “Lolita”; o Win Wenders também fez isso em “No decurso do tempo”, só que na Alemanha… há uma infinidade de textos e filmes com o mesmo mote) e os diálogos românticos até as expressões sensuais das personagens femininas. A trilha é ótima e estética do filme também é belíssima. Porém tenho minhas críticas quanto ao exagero. Bom, prefiro deixar esta discussão para outro post.

Também pretendo falar de outros filmes que me transformaram: Asas do desejo e Tão longe, tão perto (Win Wenders), Sonata de Outono, Persona, O sétimo selo e Gritos e sussurros (Ingmar Bergman), Laranja mecânica e 2001, uma odisséia no espaço (Stanley Kubrick), Lavourarcaica (Luiz Fernando Carvalho) etc… vixi! mas haja post!

Decepcionada

Uma das músicas que mais gosto é Let Down, do Radiohead. A letra é triste, o som é triste, a atmosfera toda é extremamente depressiva.

Acho que a tristeza de certa forma me faz bem. Pelo menos eu percebo que todos os dias uma onda melancólica me invade. Não sei explicar porque isso acontece. Também não sei se gostaria de saber o motivo, pois talvez anulasse o sentimento.

Eu consigo encontrar muito prazer na dor, no choro… o mundo é difícil demais para a gente rir o tempo todo.

Conviver, compreender, conversar, prestar atenção, amar, discutir, relevar, expor-se, recuar… movimentos que ‘me esmagam como um inseto no chão’.

Talvez seja covardia pensar assim, mas vale a pena tanto esforço na vida? Qual o prêmio? Mais medo, insegurança, exposição, dor… é um desastre que sucede outro. Entre eles a gente tenta dar algumas risadas para aliviar.

No final, a gente percebe que tudo aquilo que nos moveu não passava de ilusão. O que é concreto realmente? A comoção artística? Talvez seja isso. Talvez o único sentimento duradouro que realmente seja capaz de se perpetuar. De resto, tudo se desmantela.

Mais uma vez penso no Raduan Nassar: “Já disse que não acredito na discussão dos meus problemas, estou convencido também de que é muito perigoso quebrar a intimidade, a larva só me parece sábia enquanto se guarda no seu núcleo e não descubro de onde tira a sua força quando rompe a resistência do casulo; contorce-se com certeza, passa por metamorfoses, e tanto esforço só para expor ao mundo a sua fragilidade“. (Lavoura Arcaica)

Viver é humilhação constante.

Reli o que escrevi. Parece tão incoerente, mas não vou mudar. Deixa assim…


Let Down

Transport, motorways and tramlines
Starting and then stopping
Taking off and landing
The emptiest of feelings
Disappointed people clinging on to bottles
And when it comes it’s so so disappointing

Let down and hanging around
Crushed like a bug in the ground
Let down and hanging around

Shell smashed, juices flowing
Wings twitch, legs are going
Don’t get sentimental
It always ends up drivel

One day I’m going to grow wings
A chemical reaction
Hysterical and useless
Hysterical and … (ENGRAÇADO COMO ISSO PARECE SE RELACIONAR AO TRECHO DO LIVRO QUE EU MENCIONEI ACIMA)

Let down and hanging around
Crushed like a bug in the ground
Let down and hanging around

Let down again
Let down again
Let down again

You know, you know where you are with
You know where you are with
Floor collapsing
Floating, bouncing back
And one day…
I am going to grow wings
A chemical reaction
Hysterical and useless
Hysterical and…

Let down and hanging around
Crushed like a bug in the ground
Let down and hanging around